Crise
Você já passou por uma crise? Talvez se encontre em uma? Ou quem sabe lembra de alguém que parece viver em crise... sem falar das empresas que não sobrevivem à crise, etc. etc.Apesar de muito usada, nem sempre é fácil definir essa palavra. Vou tratar aqui da crise do ponto de vista... psicológico. Crise é um estado de desequilíbrio que acomete um indivíduo ou uma família quando enfrentam um determinado evento sem ter os mecanismos de manejo adequados, somado com a percepção que aquele indivíduo ou família tem deste evento. Estes três fatores interagem (o evento, o mecanismo de manejo e a percepção), e pelo menos um deles é inadequado, determinando a crise – que aliás, é auto-limitada; dura no máx. 6 semanas; mais do que isso, se instalou uma doença. Sim, crise não é doença.
Vou dar 2 exemplos. O primeiro é o da família que perde a casa em uma enchente. Neste caso, o evento é a enchente. A percepção é o sentimento de perda e de luto. Os mecanismos de manejo incluem o enfrentamento desta perda e também a adaptação (por ex., ter onde morar [parentes?], etc.). É bem fácil perceber a origem da crise. Mas o que dizer do João, que ganhou uma super promoção e entrou em crise? Por que ele, depois de tanta espera, ia passar por isso? O evento em si não justificaria a crise, a princípio.
Mas se o João pensa nessa promoção a partir da mudança de status que esta acarreta (percepção) e se não se sente preparado para lidar com tal mudança (mecanismo de manejo), então a promoção pode sim disparar uma crise no João. Portanto, qualquer evento, mesmo os naturais (o nascimento de um filho, por ex.), poderia disparar uma crise – e também o evento que causa crise num indivíduo pode não fazê-lo em outro.
Independente do evento, qualquer pessoa sai de uma crise com um de três resultados: com a mesma capacidade de enfrentamento, com uma capacidade menor ou com um nível superior e mais saudável do que antes. Sim, as crises servem pra nos deixar mais fortes.
A pior maneira de lidar com uma crise é reprimir os eventos e emoções envolvidos – a ansiedade, o desmoronamento, o aumento de tensão, a culpa, o medo... Pode até ser que quem bloqueia esses sentimentos saia inteiro da crise; por outro lado, perdeu uma boa chance de crescer.
Existem outras possibilidades para enfrentá-la. Aqui vão algumas sugestões:
· Identifique o evento que disparou a crise;
· Identifique que recursos você tem para lidar com a situação (amigos, grupos de apoio, atividades comunitárias, etc.);
· Busque ajuda (de amigos, parentes, e até ajuda profissional);
· Converse com alguém sobre seus sentimentos;
· Não procure um culpado.
Bom, este texto não é definitivo sobre o assunto. Serve apenas para uma reflexão inicial. No entanto, se você está em crise ou conhece alguém em tal situação, não deixe essa oportunidade de crescimento pessoal passar. Busque e ofereça ajuda.
Pra quem quiser saber mais, recomendo o capítulo 24 do Livro “Fundamentos de Enfermagem Psiquiátrica”, da Taylor.
Escrito por Fah às 00:11





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